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Quem quer brincar comigo?

08 de Junho de 2018 às 11:57


Pigue pega, chicotinho queimado, balança caixão. As arvores viravam “naves espaciais” ou qualquer outro universo que a imaginação infantil criava! Bandeirinha estourada, queimada (ou carimbada), cobra cega, dona da rua... Você conhece alguma destas brincadeiras? Já brincou?

Uma época que os espaços urbanos permitiam que as crianças brincassem nas ruas e até então, um mundo não globalizado e, assim com tanta tecnologia, imediata, rápida permitiam que as crianças tivessem um contato mais pessoal e presencial, sem tanta interferência, numa interação lúdica-física, explorando corpo e mente, num contato social dinâmico e claro!

Há uma preocupação geral com este tipo de interação social, via tecnologias, que se estende também a questões anato-fisiológicas, como problemas de visão, lesões. Há também quem se preocupe com coordenação motora, capacidade de concentração e abstração.

Tudo isto é,de fato, muito sério e devemos nos preocupar. Porém se analisarmos a partir de dados estatísticos mundiais, mesmo em adultos que antes brincavam de forma mais “livre”, há um fator que hoje já é uma epidemia e não estamos falando de obesidade.

Se você leu a News anterior (publicada em 29/06/2018), em algum momento você deve ter se identificado... Mas você já pensou porque quando crianças não sentimos estas dores? Porque isto vai “chegando” na idade adulta? Será o peso da idade? Mas, se é algo da idade, porque não é comum a todos e porque tem se tornado uma epidemia no mundo atual?

Então, vamos lá! Nosso corpo é um incrível mecanismo de movimento! Músculos, articulações, tendões, os sentidos, circulação! Pense como é incrível como uma criança se move, desde o útero! Agora pense o que vamos fazendo conosco mesmo, durante a vida.

Houve uma geração que não tinha uma TV em casa, e, assim, não passava horas sentados, em mimetismo com o sofá... Muitos ainda assistiam, de vez em quando, de cabeça para baixo e pernas apoiadas no encosto (tomara que a mãe não veja!). E assim, brincavam, de diversas formas, em diferentes posições e espaços, correndo, agachando, trepando, subindo, pulando, de cócoras.

Mesmo em tempos que a rua já não era tão permitido assim, as casas, com bom espaço, eram palco de muitas brincadeiras (quem brincou de Me dá cantinho? no então alpendre - não sabe o que é alpendre?).

Com os avanços das tecnologias, vamos nós, adultos, ficando cada vez mais sentados (e cansados de nada) e as crianças mais especialistas em nada (um pouco de inglês, de informática, de aula de reforço, etc) e cada vez mais em carros, sentados e, assim, atualizados, mas tão atualizados que parecem que já nascem com um celular ou tablet na mão. Eles sabem fazer coisas nestes aparelhos que até nós duvidamos!

Não é incrível? Sim, é. Mas também é incrível como estão cada vez mais parados. Aonde estão os barulhos ensurdecedores da infância? Vamos abrindo o mundo para eles, mas minimizando seus corpos e afunilando suas mentes.

Se hoje temos um alto índice de adultos com dores devido a falta de mobilidade causada pela vida moderna, como será a geração futura, que já traz como marca ser a geração da informatização?

Desenvolver e educar os pequenos, não só nas letras, mas para as possibilidades gostosas que nosso corpo nos dá, assim desenvolvendo o gosto pela atividade física e fortalecendo para a vida adulta!

A falta de mobilidade nas crianças leva a problemas de saúde não comuns na infância, e podem ser desenvolvidos em idades mais avançadas, já que  “o desuso dos sistemas funcionais: o aparelho locomotor e os demais órgãos e sistemas solicitados durante as diferentes formas de atividade física entram em um processo de regressão funcional, caracterizando, no caso dos músculos esqueléticos, um fenômeno associado à atrofia das fibras musculares e à perda da flexibilidade articular, além do comprometimento funcional de vários órgãos.”(Orti;Carrara, 2012)

Temos tanta mobilidade quando crianças e isto se torna incrível quando podemos desenvolver controle sobre ela! Assim, quando uma família nos procura para que a criança se exercite conosco, há um universo incrível que analisamos – que vai desde aonde está nosso aluno até o momento histórico que ele esta inserido!

Mas nosso foco de trabalho é o corpo humano. Por isto entendemos, observamos e estudamos o movimento humano, desde a criança, em 3 planos: sagital, frontal e transversal. E, tendo como ferramenta, para a criança, a atividade na água, alinhamos a importância da mobilidade com as necessidades de cada faixa etária e as particularidades de cada aluno.

 

Veja: não é só aula de natação. Não é só criar o gosto pela atividade física. É desenvolver a mobilidade para a vida, é investir para a idade adulta, fora das terríveis estatísticas que tem feito a falta de mobilidade se tornar uma epidemia!



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